A Polícia Civil de São Paulo pediu a prisão preventiva do ex-vereador Milton Leite, ex-presidente da Câmara Municipal da capital paulista, por suspeita de envolvimento com o PCC (Primeiro Comando da Capital).
O pedido foi apresentado após a conclusão de uma investigação sobre a atuação da organização criminosa em empresas de transporte público.
Além do ex-parlamentar, outras 12 pessoas foram indiciadas por associação à organização criminosa. Entre elas estão Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans, e Danilo Marco Morgado Silva, ex-candidato à Prefeitura de Praia Grande pelo PL.
Milton Leite está preso temporariamente desde 18 de setembro. Inicialmente, permaneceu na Cadeia Pública de Mogi das Cruzes, mas foi transferido em outubro para o CDP 2 (Centro de Detenção Provisória 2) de Guarulhos, após suspeitas de que estaria recebendo tratamento privilegiado de policiais civis.
Segundo os investigadores, o ex-vereador teria participação direta na administração de empresas de ônibus supostamente controladas pelo PCC. A polícia também aponta que ele seria o verdadeiro proprietário da Transwolff, uma das companhias investigadas.
Polícia aponta destruição de provas
O relatório final da Operação Vectura Corrupta, com 104 páginas, atribui a Milton Leite a ocultação e destruição de provas. Os investigadores também destacam seu poder econômico e influência política como fatores que justificariam a manutenção da prisão.
A Polícia Civil sustenta ainda que o ex-parlamentar teria mantido contatos externos durante o período em que estava detido em Mogi das Cruzes.
Em depoimento, Milton Leite negou todas as acusações e afirmou ser inocente.
Entre os demais investigados está Carla de Paula Muller, esposa de Antônio José Muller Júnior, conhecido como Granada, apontado pelo MP-SP (Ministério Público de São Paulo) como uma das lideranças do PCC. Ele cumpre pena na Penitenciária Federal de Brasília.
Outro acusado, Paulo Sirqueira Korek Farias, associado às empresas A2 Transportes e Translíder, foi transferido para uma unidade prisional em Caiuá, no interior paulista.
Já o empresário Sérgio Luiz Gevaerd de Oliveira não foi localizado. A polícia trabalha com a possibilidade de que ele tenha se ausentado do Brasil e esteja nos Estados Unidos.
Ministério Público vai analisar pedido
Com a conclusão do inquérito, o caso será encaminhado ao Ministério Público, que deverá avaliar o pedido de prisão preventiva no início da próxima semana.
Caberá à Promotoria decidir se apresenta denúncia contra os investigados. Caso a Justiça aceite eventual denúncia, os acusados passarão à condição de réus.
A Operação Vectura Corrupta investiga a possível infiltração do crime organizado no transporte coletivo de São Paulo, incluindo suspeitas de controle empresarial, influência sobre decisões administrativas e utilização de companhias do setor para atender aos interesses da facção.
Milton Leite permanece preso temporariamente, enquanto a Justiça ainda deverá decidir sobre a solicitação de prisão preventiva, que não possui prazo previamente determinado. (UOL)
