A montagem do quarto governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já provoca disputas entre os partidos que pretendem ocupar espaço na Esplanada dos Ministérios a partir de janeiro de 2027.
O PSD, comandado por Gilberto Kassab, trabalha para manter pelo menos três ministérios e ampliar sua participação nas decisões do governo federal.
A legenda pretende preservar o comando do Ministério da Agricultura, atualmente ocupado por André de Paula, e indicar um representante de sua bancada na Câmara dos Deputados para o Ministério da Pesca.
O ex-prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes também aparece entre os nomes considerados para integrar a próxima equipe ministerial.
As negociações ocorrem em um momento de reorganização das alianças políticas após a reeleição de Lula. O presidente precisará ampliar sua base de sustentação no Congresso, onde enfrentará uma composição parlamentar menos favorável ao governo a partir do próximo ano.
Minas e Energia entra na disputa
Um dos principais pontos de indefinição envolve o Ministério de Minas e Energia, comandado por Alexandre Silveira, filiado ao PSD. Apesar de integrar o partido, o ministro não conta com o apoio formal da direção nacional da legenda para permanecer no cargo.
Integrantes da cúpula partidária consideram Silveira uma escolha pessoal de Lula e defendem que o PSD tenha direito a outra pasta de importância política e administrativa.
O partido também pretende assegurar posições que permitam maior presença regional, especialmente em áreas com investimentos federais e capacidade de articulação com estados e municípios.
Entre os nomes que circulam nas conversas está o deputado federal Antonio Brito, líder do PSD na Câmara. O parlamentar é considerado uma das alternativas para representar a bancada na próxima composição ministerial.
Lula exige apoio no Congresso em troca de cargos
A distribuição dos ministérios não deverá considerar apenas o tamanho das bancadas. Lula quer compromissos mais claros dos partidos em votações consideradas prioritárias pelo Palácio do Planalto.
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, iniciou conversas com dirigentes do MDB, PSD, PSB e União Brasil para discutir a formação da próxima base governista.
Nessas reuniões, os partidos estão sendo convidados a apresentar propostas para as áreas que pretendem administrar e estimativas de quantos votos poderão garantir ao governo na Câmara e no Senado.
A orientação é evitar a repetição de situações registradas no atual mandato, quando legendas contempladas com ministérios nem sempre acompanharam o Planalto em votações importantes.
O PSD permaneceu neutro no segundo turno da eleição presidencial, disputado por Lula e Flávio Bolsonaro (PL). Integrantes da legenda avaliam que essa posição deve ser considerada nas negociações para o próximo governo.
Kassab, entretanto, já sinalizou que uma aproximação mais ampla com o presidente dependerá também de compromissos na área econômica, especialmente em relação ao equilíbrio das contas públicas.
Definição dos ministros deve começar no fim de novembro
A expectativa entre dirigentes partidários é que Lula comece a definir os nomes do primeiro escalão a partir do fim de novembro, depois das conversas conduzidas inicialmente por Edinho Silva.
O presidente deverá avaliar pessoalmente os indicados e os planos apresentados pelas legendas antes de confirmar os convites.
Atualmente, a estrutura federal conta com 38 ministérios, mas esse número poderá aumentar com a possível criação do Ministério da Segurança Pública.
Até o momento, não há definição sobre quantas pastas ficarão com o PSD nem sobre a participação de Eduardo Paes na equipe. As negociações continuam e fazem parte de uma disputa mais ampla entre os partidos por influência política, cargos e participação no próximo governo. (Com informações do Jornal de Brasília)
