Em agenda internacional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (24) que o Brasil fará “qualquer sacrifício” para prender “magnatas da corrupção e do narcotráfico”.
A declaração ocorre em um momento de forte turbulência política interna, com o país mergulhado nas revelações envolvendo o Banco Master — caso que ameaça atingir nomes de peso da política nacional.
A fala de Lula foi dada em Seul, na Coreia do Sul, durante entrevista à imprensa, às vésperas de uma prevista reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington.
Segundo o presidente brasileiro, o combate ao crime organizado estará na pauta do encontro.
“O desejo nosso é colocar os magnatas da corrupção e do narcotráfico na cadeia, e para isso nós faremos qualquer sacrifício”, afirmou.
Nos bastidores de Brasília, porém, a crise mais sensível envolve o escândalo do Banco Master. O caso ganhou novos contornos após a revelação de contratos milionários e possíveis conexões com figuras do alto escalão.
Um dos pontos que geraram repercussão é o contrato de R$ 129 milhões firmado entre o banco e o escritório da esposa do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes). O ministro Dias Toffoli também aparece citado em desdobramentos relacionados ao caso.
A tensão política aumentou diante da possibilidade de que o dono da instituição financeira, Daniel Vorcaro, decida colaborar com investigações e revelar detalhes de eventuais relações com autoridades e agentes públicos.
Rombo bilionário no INSS amplia desgaste
O discurso presidencial também ocorre em meio à repercussão do desvio estimado em R$ 6,3 bilhões de contas de aposentados e pensionistas do INSS, outro escândalo que pressiona o governo federal e amplia o desgaste institucional.
O caso expôs fragilidades na fiscalização e reacendeu cobranças por responsabilização de envolvidos. Parlamentares da oposição têm associado o episódio ao ambiente de fragilidade no controle de recursos públicos.
No exterior, Lula buscou enfatizar cooperação internacional no enfrentamento ao crime organizado. Ele afirmou que pretende levar representantes da Polícia Federal, Receita Federal, Ministério da Fazenda e Ministério da Justiça para reforçar parcerias com os Estados Unidos.
Além da pauta de segurança, o presidente destacou a retomada das negociações comerciais entre Mercosul e Coreia do Sul, paralisadas desde 2021, e tratou da ampliação do acordo Mercosul-Índia.
Após cumprir agendas na Índia e na Coreia do Sul, Lula seguiu para Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, onde se reuniu com o presidente Mohammed bin Zayed Al Nahyan para tratar de temas comerciais e políticos.
Ainda nesta terça-feira, a comitiva presidencial retorna ao Brasil.
A retórica firme contra corrupção e narcotráfico, no entanto, passa a ser analisada sob o peso de crises domésticas que testam a estabilidade política e institucional do governo petista. (Com informações da Agência Brasil)
