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Economia

Mercado eleva previsão de inflação, juros e dólar e reduz crescimento econômico

Primeiro Boletim Focus após as eleições aponta inflação de 5,22%, Selic de 13,5% e dólar a R$ 5,34, em meio às preocupações com o cenário fiscal brasileiro

Conjuntura Online
04/11/26 às 06h31
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Vista do prédio do Banco Central em Brasília)

O mercado financeiro revisou para cima as projeções de inflação, juros e dólar para 2026, ao mesmo tempo em que reduziu, pela terceira semana consecutiva, a expectativa de crescimento da economia brasileira.

Os números constam do Boletim Focus divulgado pelo BC (Banco Central) nesta terça-feira (3), o primeiro levantamento após o segundo turno das eleições presidenciais.

As novas estimativas apontam um cenário de maior pressão sobre os preços, manutenção dos juros em patamares elevados e desaceleração da atividade econômica.

As revisões ocorrem em meio às incertezas sobre a condução da política fiscal e os rumos da economia no próximo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A projeção para a inflação oficial, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), passou de 5,19% para 5,22% neste ano. Há quatro semanas, a estimativa estava em 5,01%, indicando uma sequência de revisões para cima.

O percentual projetado supera o limite de tolerância da meta de inflação, fixado em 4,5%. Para 2027, a expectativa do mercado também piorou, chegando a 4,76%, enquanto para 2028 a previsão está em 4%.

Juros elevados continuam pressionando a economia

A estimativa para a taxa básica de juros, a Selic, subiu de 13,25% para 13,5% ao ano no encerramento de 2026. Atualmente, a taxa está em 13,75%, o que significa que o mercado ainda espera uma redução de apenas 0,25 ponto percentual até dezembro.

Para 2027, a projeção é de juros em 12,5%, enquanto para 2028 a estimativa chega a 11%.

A manutenção de juros elevados encarece financiamentos, empréstimos e o crédito utilizado pelas empresas, dificultando investimentos e o consumo das famílias. Embora a política monetária restritiva seja utilizada para conter a inflação, também pode limitar o crescimento econômico.

Dólar sobe e crescimento do PIB perde força

Outra mudança significativa ocorreu na previsão para o dólar. A cotação estimada para o encerramento de 2026 passou de R$ 5,05 para R$ 5,34, uma elevação de 29 centavos em apenas uma semana.

Para 2027 e 2028, o mercado projeta a moeda norte-americana em R$ 5,40.

A valorização do dólar pode aumentar os custos de produtos importados, combustíveis, equipamentos e insumos industriais, com possíveis efeitos sobre os preços pagos pelos consumidores brasileiros.

Ao mesmo tempo, a expectativa para o PIB (Produto Interno Bruto) de 2026 caiu de 1,80% para 1,76%. Trata-se da terceira redução consecutiva na projeção de crescimento.

Para 2027, o mercado espera expansão de apenas 1,2%, enquanto para 2028 a estimativa é de 1,8%.

Incertezas fiscais preocupam o mercado

As revisões das expectativas ocorrem em um ambiente de preocupação com a trajetória das contas públicas, o crescimento da dívida e a capacidade do governo federal de equilibrar receitas e despesas.

Entre os riscos apontados por analistas estão a possibilidade de ampliação dos gastos públicos, dificuldades para cumprir metas fiscais e pressões sobre o câmbio, fatores que podem dificultar a redução dos juros e o controle da inflação.

O cenário representa um desafio para o próximo mandato de Lula, que terá de conciliar compromissos de despesas públicas com a necessidade de recuperar a confiança na política fiscal e estimular a atividade econômica.

O comportamento dos indicadores também afeta diretamente o orçamento das famílias. A combinação de inflação acima da meta, crédito caro e crescimento econômico mais lento pode comprometer o poder de compra e dificultar a recuperação do consumo.

Em outubro, a prévia da inflação oficial, medida pelo IPCA-15, registrou alta de 0,32%, acumulando 4,62% em 12 meses. Entre os alimentos que pressionaram os preços estão tomate, cebola, batata-inglesa e arroz.

Apesar das projeções mais pessimistas, os números do Focus representam expectativas de instituições financeiras e economistas, não resultados definitivos. As estimativas poderão sofrer novas alterações conforme as decisões econômicas do governo, o comportamento da inflação e a política de juros do Banco Central. (Com agências nacionais)

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