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Conselho de Ética será acionado para analisar senador do dinheiro na cueca

O grupo Muda Senado, que inclui parlamentares de vários partidos, elabora uma representação por quebra de decoro

16/10/2020 - 09h07

De Brasília 

senador Chico Rodrigues (DEM/RR) (Foto: Divulgação )

As investigações que miram o senador Chico Rodrigues (DEM/RR), bem como a determinação do afastamento dele do cargo, por decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), impactaram parlamentares da Casa, em especial, os colegas de legenda. 


A articulação dos aliados é para que o investigado deixe temporariamente o mandato por iniciativa própria. Sem acesso ao processo, muitos preferiram manter a discrição ao comentar o caso.


O grupo Muda Senado, que inclui parlamentares de vários partidos, elabora uma representação por quebra de decoro parlamentar, a ser apresentada à Comissão de Ética, na próxima segunda-feira. Um dos integrantes do grupo, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que também é líder da oposição, anunciou em vídeo a iniciativa. Disse que a conduta do senador é “incompatível com a conduta ética e com o decoro”. Ele também declarou apoio à decisão do ministro Luís Roberto Barroso, do STF, de afastar o político, o que outros parlamentares rechaçaram.


Ex-aliado do presidente Jair Bolsonaro e integrante do Muda Senado, o senador Major Olímpio (PSL-SP) assinou a representação. Ele destacou que a ação visa dar oportunidade ao investigado de esclarecer os fatos na Casa. “É para ajudar e ter um estímulo para que o senador acusado tenha o direito e foro próprio para se defender e apresentar suas argumentações”, justificou. A iniciativa do Muda Senado, porém, revelou o calor dos ânimos. Apoiadores do chefe do Executivo destacaram que “alguns signatários” da representação contra Chico Rodrigues também respondem a procedimentos no conselho. “Vai passar o do Chico na frente?”, questionou um deles.


O presidente do Conselho de Ética do Senado, Jayme Campos (DEM/MT), disse que, antes de especular os próximos passos, é preciso aguardar o documento ser protocolado. “Se, eventualmente, encaminharem ao conselho ou aos setores competentes, aí vamos ver. Por enquanto, está nas mãos da Justiça, e um posicionamento de forma precipitada, antecipada, poderia não passar de mera especulação e juízo de valor. É necessário aguardar”, ressaltou.


A espera para uma apreciação no conselho pode ser longa, principalmente, porque precisa respeitar a ordem da pauta, que já prevê outras deliberações, paradas devido à pandemia. “É preciso respeitar o cronograma das denúncias. Sobretudo, porque há materiais acumulados pelo tempo em que as atividades foram interrompidas”, alegou Campos, colega de legenda de Chico.


DEM


Aliados de Bolsonaro pedem cautela e destacam que, primeiro, ainda não há acusação formal contra o senador e, segundo, ele precisa ter o direito de se defender. Uma das versões que correm é que o dinheiro teria procedência, que Chico Rodrigues não teria premeditado esconder os valores e que botou a soma na roupa em um momento de nervosismo. “Agora, temos que ouvi-lo. Por que não deixou o dinheiro na mesa, já que tinha origem?”, questionou Campos.


O DEM solicitou, ontem, ao STF, o acesso ao inquérito. “O ato tem como objetivo analisar eventual desrespeito aos princípios éticos do Democratas, previstos estatutariamente”, explicou o partido, por meio de nota oficial.


O Departamento Jurídico da legenda acompanha os desdobramentos. “Estamos atentos a todos os detalhes da investigação e, havendo a comprovação da prática de atos ilícitos pelo parlamentar, a Executiva Nacional aplicará as sanções disciplinares previstas no Estatuto do partido”, enfatizou a sigla. As medidas vão desde advertências à suspensão das atividades partidárias, expulsão e cancelamento da filiação.


“Estamos atentos a todos os detalhes da investigação e, havendo a comprovação da prática de atos ilícitos pelo parlamentar, a Executiva Nacional aplicará as sanções disciplinares previstas no Estatuto do partido”.

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