Três mansões avaliadas em aproximadamente R$ 843 milhões, localizadas nos Estados Unidos, estão no centro de uma disputa judicial envolvendo o patrimônio ligado ao empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
O responsável pela liquidação da instituição financeira tenta recuperar os imóveis por suspeitar que tenham sido adquiridos com recursos provenientes de operações do banco.
Duas ações apresentadas à Justiça americana nos dias 2 e 7 de outubro resultaram na intimação de quatro empresas.
Os processos tramitam no Tribunal Federal de Falências do Distrito Sul da Flórida, sob responsabilidade do juiz Scott Grossman.
Uma das ações envolve as empresas Clear River Properties e Goldbeach Properties, registradas em Delaware.
Elas aparecem como proprietárias de três imóveis de alto padrão, sendo dois em Miami, adquiridos por US$ 85,2 milhões e US$ 6,9 milhões, e outro em Aspen, no Colorado, comprado por US$ 77 milhões.
O liquidante sustenta que o dinheiro utilizado nas aquisições teria passado por fundos de investimento e empresas com operações no Brasil, nas Bahamas e nas Ilhas Cayman. Entre as estruturas investigadas estão o Mosaic Short Duration Fund e o Fortress Legacy Trust, relacionado à família Vorcaro.
A documentação também aponta transferências de aproximadamente US$ 37,5 milhões realizadas entre dezembro de 2025 e março de 2026, período posterior à liquidação do Banco Master, decretada pelo Banco Central em novembro de 2025.
Venda de um jato
Outra ação envolve cerca de US$ 42 milhões relacionados à venda de um jato. Nesse processo, foram intimadas a PS-MGG Administração de Bem Próprio e a americana Insured Aircraft Title Services, responsável por serviços de registro e transferência de aeronaves.
As duas empresas deverão apresentar respostas até 4 de novembro. Já Clear River Properties e Goldbeach Properties têm prazo até 9 de novembro.
A investigação patrimonial ganhou alcance nos Estados Unidos após a Justiça americana reconhecer, em janeiro, o processo brasileiro de liquidação do Banco Master. Desde então, foram autorizadas diligências para localizar contas, documentos, imóveis e outros bens relacionados ao empresário.
Em abril, a defesa de Vorcaro tentou limitar parte das investigações, mas a maior parte dos pedidos foi rejeitada. Um recurso posterior também não prosperou.
Apesar do avanço dos processos, ainda não existe decisão definitiva determinando o confisco das mansões ou a devolução dos valores. A origem dos recursos e a eventual ligação dos bens com o patrimônio do Banco Master continuam sob análise judicial. (Com informações da Jovem Pan)
