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Soraya diz que Bolsonaro deveria cobrar 'fatura' do Centrão por cargos

Para senadora, partidos com forte presença em ministérios não entregam votos necessários para Planalto formar base no Congresso

27/06/2020 - 08h56

Estadão

A senadora Soraya Thronicke (PSL-MS) (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado / Estadão Conteúdo)

 Eleita na onda do bolsonarismo e apoiadora do governo, a senadora Soraya Thronicke (PSL-MS) avalia que o presidente Jair Bolsonaro deveria cobrar uma "fatura" dos partidos do Centrão que têm cargos no governo. Para ela, legendas com amplos espaços em ministérios não entregam votos necessários para o Planalto formar uma base no Congresso Nacional.


"Se o presidente fizer isto agora com o Centrão, o cara ter ministério e não votar lá dentro, aí vai para o brejo. É uma via de mão dupla. Isso não é corrupção, é governabilidade. Se não andou na linha, tem que tirar", afirmou Soraya Thronicke em entrevista ao Estadão/Broadcast.


Como a senhora vê os acordos do governo com o Centrão?


Eu não sei como se divide centro e Centrão, para mim é um bolo só. O DEM ganhou a maior fatia em ministérios, ganhou as duas Casas do Congresso e não entregou a contento. Alguns parlamentares são extremamente fiéis e outros derrubaram medidas provisórias e trabalharam contra. Votam errado, trabalham contra, tentam derrubar tudo na boca pequena e o presidente dá espaço. Para mim, se o presidente fizer isto agora com o Centrão, o cara ter ministério e não votar lá dentro, aí vai para o brejo. É uma via de mão dupla. Isso não é corrupção, é governabilidade. Se não andou na linha, tem que tirar.


Quais partidos não devolvem?


O DEM e o MDB e vários outros partidos que já tinham cargo no governo não devolvem. Não é agora que ele está entregando para o Centrão ou ninguém presta atenção? Onde é que o presidente Bolsonaro tem 120 mil pessoas que ele confia e conhece? Não tem. Aí ele pega a base dele, que era o PSL, e briga com a base. Eu já disse para ele: presidente, não pode levar isso a ferro a fogo. O DEM, na pessoa do Onyx (Lorenzoni, ministro da Cidadania), ajudou na eleição. Para quem é cargo de confiança, tem que exigir a confiança. Confiança é trabalhar dentro das minhas maneiras, e não das suas, e trabalhar para o Brasil, e não para si. Se o cara não entregou, tem que estar fora no outro dia. O MDB tem líder do governo no Senado, no Congresso, tem um naco enorme. Então cadê o governador do MDB? Deveria funcionar assim.


O tamanho desses partidos não dificulta o presidente de ter votos?


Ou é porteira fechada e tem o ministério inteiro ou garante 'x' de votos e tem metade do ministério. Tem governador que tem órgãos inteiros no governo, manda, desmanda faz o quer e não dá um voto, por exemplo, Ronaldo Caiado (DEM). Tem espaço até hoje e isso não significa voto nenhum. Se o MDB já tinha lugar, reconduzir o Marun (Carlos Marun, do MDB, no Conselho de Itaipu) não aumentou um voto no Congresso. Isso não refresca. Aí é hora de sentar com o MDB e falar: eu quero mais um fidelíssimo aqui dentro. Ajudar gente sem mandato para nada


Quantos senadores fiéis ao governo existem hoje?


Não dá para contar. Não há uma base fiel no Senado. É conforme a banda toca. Porém, neste momento de isolamento o Senado tem votado quase tudo por unanimidade. Temos conseguido construir, só que isso não é reconhecido pelo governo federal. Eu sou base do governo, só que eu não uma base cega. Eu sou aquela base racional que sabe discutir com o adversário.


O caso Queiroz atrapalha o governo? Há risco para o senador Flávio Bolsonaro?


Politicamente, atrapalha. Tanto é que, antes de qualquer julgamento, querem abrir o processo de cassação contra o Flávio, mas baseado em que? Se for condenado e provado, é outra história. Até agora, é só inquérito. Eu sempre sou técnica na avaliação. Tecnicamente, não há elementos (para abrir processo contra Flávio).

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