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Economia

Quebra de banco no Paraguai bloqueia contas de 3 milhões de clientes

Crise no Ueno Bank atinge cerca de 40% da população, prejudica aposentados e comerciantes e provoca oito prisões e mudanças no comando do Banco Central

Conjuntura Online
05/11/26 às 07h47
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Clientes do Ueno Bank protestam em Assunção, após bloqueio de contas. (Foto: Reprodução)

O colapso de uma das maiores instituições financeiras digitais do Paraguai desencadeou uma crise que já ultrapassa o setor bancário e atinge milhões de pessoas.

Com aproximadamente 2,9 milhões de clientes, o Ueno Bank teve suas atividades suspensas pelo BCP (Banco Central do Paraguai), deixando correntistas sem acesso ao dinheiro e provocando manifestações nas ruas de Assunção.

A medida foi anunciada na terça-feira (3), após a autoridade monetária identificar graves problemas financeiros na instituição, incluindo insuficiência de capital para manter suas operações.

O banco atendia cerca de 40% da população paraguaia e movimentava aproximadamente três milhões de transações diariamente.

O bloqueio dos recursos atingiu diretamente cerca de 32 mil aposentados e pensionistas que recebiam seus benefícios pela instituição. Muitos clientes foram surpreendidos pela impossibilidade de realizar pagamentos, transferências e saques, comprometendo despesas básicas.

A paralisação também afetou o comércio. O Ueno Bank concentrava uma parcela expressiva dos pagamentos eletrônicos realizados nas grandes redes varejistas do país, causando dificuldades nas vendas e nas operações financeiras de estabelecimentos comerciais.

A situação levou centenas de pessoas às ruas da capital paraguaia. Manifestantes cobraram a liberação imediata dos depósitos e explicações das autoridades. Em uma das mobilizações, houve confronto com policiais nas proximidades do Congresso Nacional.

Crise provoca prisões e derruba comando do Banco Central

As investigações sobre a situação financeira do Ueno Bank resultaram na prisão de oito pessoas, entre dirigentes da instituição e executivos ligados ao Grupo Vázquez, controlador do banco.

O episódio também provocou uma crise política. O presidente do Banco Central paraguaio, Carlos Carvallo, deixou o cargo, assim como outros dois integrantes da direção da autoridade monetária. O presidente Santiago Peña nomeou o economista Raúl Vera Bogado para assumir o comando da instituição.

A relação anterior de Peña com o grupo controlador do banco também passou a ser questionada por integrantes da oposição, que chegaram a discutir a possibilidade de apresentar um pedido de impeachment.

Governo tenta acelerar devolução do dinheiro

Diante da dimensão do problema, o Congresso paraguaio começou a discutir medidas emergenciais para antecipar o ressarcimento dos clientes prejudicados.

O sistema de garantia de depósitos do país prevê cobertura de até 75 salários mínimos paraguaios, aproximadamente 228,3 milhões de guaranis por depositante.

Uma proposta aprovada pelo Senado prevê antecipar parte dos pagamentos para até 24 horas, mas o texto ainda depende de ajustes e nova análise legislativa.

Enquanto isso, o Banco Central anunciou a previsão de um pagamento inicial de até 10 milhões de guaranis por cliente, aproximadamente R$ 9,1 mil.

As autoridades paraguaias afirmam que os mecanismos de proteção aos depositantes permanecem em funcionamento e que a crise está concentrada no Ueno Bank. Entretanto, milhares de clientes continuam aguardando a liberação dos recursos, enquanto as investigações procuram esclarecer as circunstâncias que levaram à quebra da instituição. (Com Primeira Página)

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