O procurador-geral da República, Paulo Gonet, foi acionado na terça-feira (27) para apurar possíveis crimes de tráfico de influência e violações à Lei de Conflito de Interesses envolvendo o ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski.
O escritório do qual ele é sócio recebeu mais de R$ 5 milhões do Banco Master, inclusive após sua posse no governo.
A denúncia foi apresentada pelo deputado estadual Guto Zacarias (União Brasil), por meio de uma notícia de fato. Ele cita reportagem do Metrópoles que revelou contrato prevendo pagamento mensal de R$ 250 mil ao escritório de Lewandowski.
Segundo o parlamentar, os indícios apontam para prática de tráfico de influência e atos contrários aos princípios da Administração Pública. Para ele, a situação pode caracterizar uso indevido de prestígio político e institucional.
“A apuração se mostra indispensável para verificar eventual nexo entre os valores recebidos, os serviços prestados e o exercício pretérito de função pública estratégica”, afirmou Zacarias na representação.
Ele acrescenta que o interesse público decorre não apenas do valor envolvido, mas também do risco institucional de uso de informações ou influência obtidas durante o exercício de cargo de alto escalão.
Lewandowski deixou o STF em abril de 2023 e passou a integrar o governo Lula em fevereiro de 2024. O contrato com o Banco Master abrange períodos antes e depois de sua posse como ministro.
Recentemente, Gonet negou pedidos de parlamentares para afastar o ministro Dias Toffoli da relatoria do caso Master, mesmo após reportagens apontarem vínculos entre investigados e advogados ligados ao processo.
Na representação, Zacarias pede que a PGR investigue a compatibilidade dos valores pagos por Daniel Vorcaro com os serviços prestados, além de eventual participação de familiares, pessoas próximas ou empresas ligadas ao ex-ministro. (Com informações da Agência Globo))
